"Em termos de conteúdo, um dos resultados desta visita, precisamente no sentido de aprofundar as relações humanas, económicas e culturais entre França e Portugal, será a assinatura de um acordo de amizade e cooperação entre França e Portugal", disse um conselheiro do Eliseu numa conferência áudio com os meios de comunicação social.

No seu primeiro dia em Lisboa, Macron prestará homenagem ao poeta português Luís de Camões e reunir-se-á depois com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, com quem discutirá questões que "preocupam a Europa em termos de segurança e defesa", nomeadamente a aceleração da competitividade e o investimento.

Na Assembleia da República, não haverá discurso do chefe de Estado francês, como estava previsto, mas haverá uma sessão solene e troca de impressões com o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, e os vários presidentes dos grupos políticos portugueses.

Como a segunda edição da Conferência das Nações Unidas sobre os Oceanos decorreu em Lisboa, em 2022, e a terceira edição vai realizar-se entre 9 e 13 de junho, em Nice, vai decorrer a transferência de poderes entre os dois países, com destaque para a adoção de uma declaração conjunta sobre a cooperação nos oceanos e no espaço atlântico.

"Será uma oportunidade para expor os nossos pontos de vista sobre a cooperação nos oceanos, sobre a ratificação do Tratado do Alto Mar, sobre a cooperação no espaço atlântico, e também sobre as prioridades comuns ligadas à proteção dos oceanos, à biodiversidade, à energia e às energias renováveis ligadas aos oceanos", acrescentou o Eliseu.

Além disso, terá lugar um diálogo entre Macron e o presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-comissário europeu para a Investigação e Inovação, Carlos Moedas, no Beato Innovation District, um dos maiores polos de inovação e empreendedorismo da Europa, com a participação de atores franco-portugueses da tecnologia e da Inteligência Artificial (IA), como a Station F (um hub francês de startups), na sequência da Cimeira de Ação sobre IA realizada em Paris no início deste mês.

No segundo dia, durante a deslocação do chefe de Estado francês ao Porto para se encontrar com o primeiro-ministro Luís Montenegro, está prevista a assinatura de cerca de uma dezena de acordos bilaterais, incluindo "um acordo de amizade, um acordo de cooperação franco-português e uma carta de intenções no domínio do armamento", disse a fonte.

Quanto à carta de cooperação em armamento no contexto do conflito na Ucrânia, insere-se no "reforço da base industrial europeia" e visa "confirmar uma intenção e um acordo já anunciado para a aquisição de até 36 Caesar [sistemas de artilharia] pelos portugueses" e também "formalizar a cooperação noutras sub-cooperações industriais, nomeadamente na área dos drones", segundo a mesma fonte.

"Será também assinado um acordo de cooperação cultural, científica e técnica, um acordo de cooperação policial, um acordo de coprodução cinematográfica, nomeadamente com o Centre National de la Cinématographie, e um plano de ação a favor do ensino superior, da ciência e da inovação", acrescentou o conselheiro de Macron.

A agenda de Macron incluirá ainda um fórum empresarial franco-português, no Porto, com o Presidente da República e o primeiro-ministro portugueses, centrado na cooperação económica e de investimento entre França e Portugal, e nos laços entre os dois países, bem como em questões relacionadas com "a inovação, a defesa e a preservação da soberania na Europa".

Esta é a primeira visita de Estado de um Presidente francês a Portugal em 26 anos, a convite do Presidente português. A última visita teve lugar em 1999, com Jacques Chirac. No entanto, Macron já tinha sido convidado para a comemoração do 50º aniversário do 25 de abril, onde acabou por se dirigir aos portugueses, com quem a França partilha uma relação histórica.

"Há cerca de dois milhões de luso-descendentes em França, há quase 50 mil franceses a viver em Portugal, e dois milhões de turistas franceses visitaram Portugal em 2024", disse um conselheiro, destacando o potencial de crescimento.

Em junho de 2022, Macron esteve em Portugal para participar na Conferência dos Oceanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Lisboa, enquanto Marcelo Rebelo de Sousa esteve em França pela última vez em junho do ano passado, para assistir à cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris.